Diagrama de Ishikawa: Cortando a raiz do problema

Se você é administrador ou estudante de Administração e áreas afins, tenho certeza que o nome Ishikawa lhe parece bem familiar. Não é para menos, logo, o diagrama de causa e efeito de Kaoru Ishikawa é uma das ferramentas de qualidade empresarial mais utilizadas e difundidas no mundo todo. 

Mas, afinal, a que se deve toda a fama e quem é o homem que criou e emprestou seu nome a um dos conceitos mais conhecidos da ciência da Administração? 

Resumindo a lenda 


Nada mais justo que dedicar um espacinho para, brevemente, falar de uma das figuras mais importantes para o universo empresarial. Kaoru Ishikawa, nascido em 1915, formou ao lado de Juran e Deming a que é considerada a Trindade da gestão da qualidade. 

Formado em engenharia química pela Universidade de Tóquio, Ishikawa ficou conhecido por elaborar conceitos que viriam a se tornar base para uma nova cultura focada na qualidade, exemplo do Círculo de Controle da Qualidade (CCQ) e da ferramenta que é assunto desse post, Diagrama de Ishikawa. 

Só o que foi citado já o credencia como um dos grandes nomes da gestão de qualidade, mas sua contribuição foi além, sendo um dos maiores responsáveis por difundir e implementar a Filosofia da Qualidade nas organizações japonesas, o que não só revolucionou e elevou o patamar das empresas como foi um dos grandes trunfos para a reconstrução do país no pós-guerra. 

Se o Japão passou de terra arrasada para uma das economias mais modernas e bem sucedidas na atualidade, muito desse mérito passa pelas mãos de Kaoru Ishikawa. 

Conhecendo um pouco do gênio por trás da ferramenta, podemos ter noção da importância do Diagrama de Causa e Efeito. Vamos agora entender como ele funciona e o porquê da sua importância para as empresas: 

Diagrama de Causa e Efeito 

Também conhecido como Diagrama de Espinha de Peixe devido a forma ramificada que assume graficamente, a ferramenta tem como objetivo identificar causas raízes das inconformidades encontradas na empresa. Para tal objetivo, se propõe a elencar fatores envolvidos na execução do processo que podem ser o motivo para aparição do problema. 

Segundo Ishikawa, haveria limitadas causas específicas para cada falha dentro de um processo. Logo, o modelo proposto por ele trata de levantar todas as possíveis causas para que sejam analisadas e testadas uma a uma a fim identificar qual realmente está gerando o problema. 

A ferramenta tem como seu grande trunfo a possibilidade de ser executada por qualquer um dentro do contexto empresarial, dispensando a exigência por um especialista, o que combina com a própria filosofia de seu criador. Além disso, é uma forma simples de facilitar a visualização do problema e abordar suas causas de forma ampla e sistêmica e permitir sua correção e a otimização dos processos. 

Esboçando o diagrama

Como preza por ser uma ferramenta simples e de fácil utilização, o seu esboço gráfico também segue a mesma lógica. Para fixar, vamos juntos, passo a passo, criar nosso próprio diagrama: 

Primeiramente, é necessário definir o problema a ser analisado. Feito isso, esboça-se uma linha horizontal com formato de seta com um retângulo em sua ponta direita. É nesse retângulo que a inconformidade será representada; 


Definido o efeito, é a hora de juntar a equipe e realizar um brainstorming com o objetivo de alçar possíveis causas para o problema; 

Os problemas levantados devem ser segmentados em categorias. O modelo canônico de Ishikawa define seis classes, os chamados 6M's (Máquina, Métodos, Meio-ambiente, Material, Mão de Obra e Medidas); 


Categorias originais do Diagrama de Ishikawa


Por fim, pode-se acrescentar sub-causas, ou seja, fatores que ocasionaram as causas principais. 


Os 6M’s 

Como foi mencionado anteriormente, o modelo original do Diagrama de Ishikawa propõe o uso de seis categorias para segmentar as causas levantadas para determinado problema, porém, essas classes originais podem ser modificadas ou substituídas por outras que melhor se adequem a empresa e ao contexto analisado, não necessariamente na obrigatoriedade da manutenção de seis grupos. 

De qualquer forma, conhecer as categorias primordiais do modelo de causa e efeito é importante para norteá-lo na utilização da ferramenta e até mesmo para que possa adequá-la fazendo as modificações cabíveis. Vamos lá: 

Meio-ambiente 

Em meio-ambiente o modelo se refere às condições internas e externas do ambiente da organização que podem ter influência de alguma forma sobre o problema. Aqui são analisadas as condições do local, por exemplo: clima, barulho, arranjo físico, espaço, limpeza, entre outros fatores. 

Método 

Este ponto está relacionado a forma como o trabalho é executado. Ou seja, analisa fatores ligados aos procedimento que potencialmente possam ser causadoras da não conformidade em foco. Carga de trabalho, planejamento, ferramentas utilizadas e carga horária são exemplos de itens analisados nesta categoria. 

Mão-de-Obra 

Esta classe do modelo tem a ver com as pessoas que estão envolvidas no processo, portanto, leva em consideração causas como: estresse, pressa, displicência, falta de qualificação, negligência e desatenção. 

Medida 

A categoria de medidas leva em conta os fatores métricos utilizados no controle da execução das tarefas. Engloba, por exemplo: indicadores, metas, KPI’s e nível de cobrança. 

Máquina 

As inconformidades mecânicas que influenciam na execução dos processos são listadas aqui, vide: defeitos de maquinário, falta de otimização, falhas de funcionamento, etc. 

Materiais 

Se a inconformidade está relacionada aos materiais e matérias-primas utilizadas, então é nesta classe onde são analisadas as possíveis causas, por exemplo: materiais sem especificação necessária, fora do prazo de validade, armazenados de maneira inadequada e outros. 


Como vimos, não é atoa que Kaoru Ishikawa é dos mais renomados administradores de todos os tempos, principalmente com relação a gestão da qualidade. A sua ferramenta mesmo depois de dezenas de décadas continua como uma das principais e mais conhecidas no meio empresarial, isso sem utilizar de métodos complicados, aliás, sua praticidade e eficiência é o que faz o Diagrama de Causa e Efeito ser um clássico importantíssimo para empresas que visam a qualidade de seus processos.

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